quinta-feira, 5 de maio de 2011

CARTA DO CACIQUE SEATTLE AO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS

  Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra?
Tal idéia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar
ou do resplendor da água, como então podes comprá-los”?
Cacique Seattle
“O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. Como se pode comprar ou vender o céu ou o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode, então, comprá-los de nós? Toda essa terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e nas crenças do meu povo”.
“Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Porque ele é um estranho que vem de noite e rouba a terra e tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga e, depois de exauri-la, vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai, sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e o direito dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende...
Nós não podemos encontrar paz nas cidades do homem branco. “Nem o lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos”.
“Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E, depois da derrota, passam o tempo em ócio e envenenam o seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes”... “O homem branco talvez venha um dia a descobrir que o nosso Deus é o mesmo Deus. Ele quer bem da mesma maneira ao homem branco como ao vermelho. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo seu Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa que as outras raças. Continua sugando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios desejos”.  
                        (Alguns trechos de uma carta, bem maior, escrita em 1855)


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